
Foi com enorme prazer que, nesta tarde de Domingo o trem me levou a percorrer Portugal, e enquanto lá fora a mãe natureza se apresentava pronta novamente para nos amar, com o seus raios de mar e pedaços de Sol, eu devolvia o mesmo carinho, transportando na carruagem a devoção e a ansiedade de ver uma das bandas da minha infância...
Chegada ao Pavilhao atlantico, deparo-me com metade deste cortado e os balcoes igualmente reduzidos a uma pequena parte. Como nao se via bem naquele lugar que me restava, pedi sorrateiramente a senhora que nos acomodava para ficar na escada durante o concerto...Como nao me deixava pois parecia mal, afinal ia ver um concerto de classe e gravata e seria deveras deselegante, mas como perguntar sai sempre mais barato... "Pode é ir para a plateia menina desde que conserve o seu bilhete!" respondera! Nem pensei mais! SIGA!
Algumas pessoas deviam estar lá a espera de ganhar bilhetes para ver os U2, mas eu nao! Entre casalinhos nos seus 40 e 50 anos, lá estava eu feliz da vida por estar por minha conta! Os anos 80 invadiram o Pavilhão Atlântico, totalmente! Mais gordos, com menos estilo e com coragem de mostrar isso tudo. Um feito protagonizado por um dos seus porta-vozes, os Spandau Ballet.
Agentes de um movimento que marcou gerações, estes «novos românticos» de outro tempo, regressaram aos palcos e não esqueceram Portugal...
Foi pena o pavilhão não estar tao cheio mas teve gente suficiente para gerar a visão de uma plateia composta, num espaço cortado nas suas medidas originais. Um pouco como a própria banda, que se mostrou diferente do seu começo, num regresso depois de 20 anos passados do seu fim.
O vocalista Tony Hadley é o elemento mais visível dessa mudança! Estava um autêntico Herman José mas com o cabelo escuro! Antes do concerto começar, usaram pequenos recortes de videos de concertos e entrevistas passadas de quando eram novinhos como apresentaçao na cortina que tapava o palco!
Em palco deu-se início ao espectáculo com «Too Cut a Long Story Short» relembrando imediatamente a fase que a banda desenvolveu o new-Wave com ajuda dos sintetizadores e voz carregada. Seguidamente, as músicas contaram com um saxofone destacado, como foi o caso de «I`ll Fly For You».
Após a Only When You Leave, num pequeno momento de paragem, alguém atirara um papel com alguma mensagem pessoal a Tony Hadley, que este abriu, procurou ler e mais não disse do que "I don't even try to understand this! ahaha..."
O país até foi incluído nas acções de palco, com «Round & Round» cantada à frente de uma tela que nos mostrou a sua passagem por cá num concerto dado em 1985, empoleirados no Padrao dos Descobrimentos e passeando pela cidade de Lisboa! Atenção esta que despertou os gritos da audiência sobretudo do mulherio!
Já a guitarra do compositor Gary Kemp transitou de solos para movimentos rápidos pertencentes a uma fase de temas de influência funk. «Chant No 1 (I Don`t Need This Pressure On» foi um dos casos. Nas vozes, o grupo teve o apoio de uma cantora, que apresentava um look bem diferente do resto dos elementos. O maiot preto com um laço brilhante e leggings de cabedal, afastavam-se do fato rematado com uma gravata roxa do vocalista, ou do lenço ao pescoço do saxofonista. Na bateria residia o espírito mais rock `n` roll de John Keeble, que no fim fez questão de tocar no bongo que tinha atrás de si até o fazer tombar.
Músicas como "Communication", "Lifeline", "Instinction", "She Love Like Diamond", "Higly Strung" e "With The Pride" onde denotamos que os seu vocais estão ainda bem vivos... Na "Fight For Ourselves" uma animação rubra com canhões e tiros a passar na tela renovava a vivacidade de muitas almas, e para mim foi das melhores músicas! Contudo as lágrimas varreram a plateia ao som de "Trought the Barricades"!... Numa versão mais lenta e menos puxada, pois nas partes mais altas este senhor de gravata roxa já nao conseguia subir muito e então dava-nos a vez...Extremamente emocionante...
Mas não só da listagem de clássicos como «True» viveu o espectáculo! Sentados no escuro Tony e o guitarrista Gary Kemp, aproximaram-se da sua plateia com uma nova versão acústica de «Once More». Um registo que parecia apadrinhar aquele momento de reunião, falando de novas oportunidades e de memórias.
Num outro momento de pausa, foi bom ouvir "Like 20 years ago, we would like to listen de women of that time, screaming right now, like 20 years ago!" Qual ordem imediatamente cumprida! Há 20 anos , eu tinha 5, e não gritava por eles, mas agora não posso nem pude perder a oportunidade!
No fim, os medalhões laranja na tela e a "Gold" fecharia o show! Um fim verdadeiramente de Ouro! Uma beleza que até o gongo do baterista fez tombar!! Teria sido melhor se tivessem tocado "Empty Spaces" ou "Matter of Time" ou" Heaven is a Secret" ou "Pleasure", mas valeu a pena! Que voltem de novo se esta não foi já a última vez!
Ou que venham os rivais DURAN DURAN! Cá os espero ainda com mais fervor!
Na camioneta cheia, de regresso, já no meio do sono e das luzes foscas vermelhas, muito longinquamente, pareceu-me ouvir a "Still Loving You"... os Scorpions sempre a acompanhar-me onde quer que vá ou venha...e sonhava... para não me lembrar de ir trabalhar dai a 4horitas...









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