domingo, 15 de novembro de 2009

Depeche Mode, 14 Novembro, no Pavilhão Atlântico



"IT'S A BIRD, IT'S A PLANE, NO, IT'S SUPER DAVE !" , já dizia a faixa britânica , que eu subscrevo perante a tua sensualidade máxima, as tuas ancas dançantes de passarinho, o teu charme inconfundivel, a tua voz única, um "avião" de asas abertas sobre nós!...


" Dave Gahan continua a saber entreter uma multidão como ninguém. Pavilhão Atlântico cheio recebe a banda britânica de braços bem abertos.
Ainda Gomo varria o palco de um lado ao outro a apresentar o seu Nosy e já o Pavilhão Atlântico estava bem recheado. Contra todas as adversidades (a chuva lá fora, o futebol na televisão), Lisboa acorreu em massa para assistir ao segundo concerto dos Depeche Mode na sala ribeirinha: três horas antes da subida ao palco dos protagonistas, já a fila para entrar na sala era considerável.
Os Depeche Mode que hoje subiram ao palco estão diferentes e isso notou-se, à saída, nos comentários de alguns fãs que viram também a actuação de 2006. Dave Gahan continua a ser um anfitrião ímpar, Martin L. Gore e Andrew Fletcher continuam a dar o litro, mas a voz do líder começa a denotar algum cansaço. Não foram poucas as vezes que o cantor deixou a multidão cantar os refrões dos hinos maiores da banda e em "Wrong", o primeiro single do álbum que serve de pretexto à actual digressão, além de ter entrado fora de tempo, algo mais pareceu estar "errado".
O público, no entanto, não se preocupou minimamente e rendeu-se sem reservas à arte dos britânicos. Apesar de o álbum editado este ano, Sounds of the Universe dar o nome à digressão, a banda retirou dele apenas quatro temas, com três deles logo a abrir: a dança sedutora de "In Chains" alimentou a euforia do início de espectáculo com os seus ritmos penetrantes, "Wrong" mostrou a força da alma gótica da banda em imagens ultra-saturadas projectadas no ecrã gigante (e tirou proveito de ser êxito recente para deixar o público a rebentar em aplausos) e "Hole To Feed" hipnotizou em dança sedutora. "Miles Away/The Truth Is" chegaria um pouco mais para a frente, confirmando o que já se sabia: é provavelmente um dos momentos menos inspirados das canções mais recentes da banda.
O regresso ao passado começou com o maravilhoso "Walking in My Shoes" atentamente observado por um olho de corvo projectado no globo/planeta gigante suspenso por cima do palco. "Question of Time", o tema que se seguiu, provou mais uma vez que a grande força dos Depeche Mode prende-se com a quantidade impressionante de canções que envelheceu com a mesma magia e fôlego que tinham quando primeiramente se deram a conhecer. Gahan deu então início ao exorcismo dos seus fantasmas das melhores formas que sabe: com o corpo, a dançar, e com a voz, a cantar.
"Precious" marcou a única abordagem ao soberbo Playing the Angel , registo de 2005, e a reacção do público não poderia ter sido melhor, contagiando depois "World in My Eyes" e os seus ritmos exóticos. O grande exercício synth pop que é "Fly on the Windscreen", de Black Celebration deu o mote para o primeiro período introspectivo da noite, brilhantemente servido por Martin L. Gore: o encantatório "Sister of Night" e a balada delicodoce "Home" deixaram o público em êxtase.
"Policy of Truth" marcou o regresso de Gahan ao palco e o grosso da plateia, visivelmente sub-30, manteve-se em alta (cantando a plenos pulmões) com "It's No Good". Os arranjos quase irreconhecíveis de "In Your Room" levaram muita da audiência nas bancadas a sentar-se, apenas para se levantar logo de seguida para celebrar o hino "I Feel You".
A loucura de "Enjoy the Silence", novo coro cantado a plenos pulmões, deixou antever o final do corpo principal do alinhamento em versão dançável, com Gahan a servir de maestro na passadeira que o leva para bem junto do público, mas ainda houve tempo para deixar água na boca com "Never Let Me Down Again" - com direito a ginástica braçal e um agradecimento que soou a "até já".
O encore teve início com o momento de introspecção "One Caress" - Martin L. Gore mais uma vez brilhante - e a sequência que colocou o ponto final no espectáculo fez-se sempre em registo ascendente. "Stripped" foi momento solene, "Behind the Wheel" envolveu a sala com os seus ritmos misteriosos e, a terminar em grande, o inevitável "Personal Jesus" levou à histeria generalizada.
Iguais a si próprios, mas com a idade de Dave Gahan a começar a pesar-lhe na voz, os Depeche Mode conquistaram mais uma vez o Pavilhão Atlântico e redimiram-nos do concerto cancelado na versão portuense do Super Bock Super Rock. Só não terão mesmo ficado reconciliados com a banda aqueles que não puderam vir do Porto para assistir. Haverá, com certeza, mais ocasiões. "

in BLITZ
(...Só faltou a STRANGE LOVE...)

Alinhamento:

In Chains (abertura do Universo!)
Wrong (nada de errado se seguiria...)
Hole to Feed (e a nós tambem, com tal musicalidade!)
Walking In My Shoes (todos nós subimos para os seus sapatos no palco)
Question of Time (haveria muito naquela noite seguramente e pessoal foi ao ar...)
Precious (a tua voz ainda que menos pujante, continua a ser preciosa Dave!)
World In My Eyes (e nos nossos quem sabe?)
Fly on the Windscreen (flies ou Crows ou bolas ás cores ou silhuetas de mulheres, ou , ou...)
Sister of Night (a penumbra emocional total...)
Home (o adensamento da mesma, que voz Martin, que voz...)
Miles Away/The Truth Is (a destoar um pouco, mas teve que ser...)
Policy of Truth (Violator a comandar a set...)
It's No Good (explosão, batidas fortes , o chão a fugir dos nossos pés!)
In Your Room ( o vermelho deveria ter dado lugar ao roxo...)
I Feel You (um nó na garganta...)
Enjoy the Silence (de facto as palavras foram e sao desnecessárias perante este clássico)
Never Let Me Down Again (todos de pé caray!)

One Caress
(vários caresses nos passavam pela cabeça seguramente...)
Stripped (o calor sob a madeira do tecto ajudava a isso...)
Behind the Wheel (sempre aguardada...)
Personal Jesus (ninguem quer mais o fim...é o rebentamento total!)

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

9 de Novembro 1989...9 de Novembro 2009

Porque nunca é tarde para relembrar os 20 anos da queda da Vergonha, o Fim da Guerra Fria...

Scorpions - Veter Peremen (Wind Of Change)


Naberezhnoy Moskvy

Idu k Parku Gor'kogo

Slushayu ya

Veter Peremen

Letnyaya noch' Avgusta

Mimo idut soldaty

Slushayu ya

Veter Peremen

Mir smykaetsya

Dumali li Vy

My stanem blizkimi

Kak brat'ya

Vozduh napolnen buduschim

I chuvstvuetsya vezde

Veter,Veter Peremen
Verni menya, verni v moment toy nochi
slavnoy

Kogda deti gryaduschego mechtayut

Veter Peremen
Idu po ulitze,

Davnie vospominaniya

Zakovanny (?)

V Proshlom

Naberezhnoy

MoskvyIdu k Parku Gor'kogo

Slushayu ya

Veter Peremen
Verni menya, verni v moment toy nochi
slavnoy

Kogda deti gryaduschego mechtayut

Veter Peremen
Verni menya, verni v moment toy nochi
slavnoy

Kogda deti gryaduschego mechtayut

Veter Peremen

sábado, 7 de novembro de 2009

Fernando Mendes...Ate sempre amigo



(N: 15 de Maio, 1949 - F: 3 de Novembro, 2009)

Não existem palavras para descrever o tamanho da crueldade com que uma vida é ceifada de forma inexplicavel, injusta, rápida no decorrer de um percurso sádio, amável, pacífico e sempre promissor…

Eras aquele senhor por quem os velhos vizinhos nutriam uma admiração silenciosa, uma distância respeitosa, cientes na tua vasta cultura e dimensão humana. As disputas pequenas não preenchiam o teu dia-a-dia, sequer o teu pensamento felizmente, o que te engrandecia mais ainda se comparado a qualquer pessoa do senso comum. Eras senhor de grande envergadura na informação para o pais, mesmo que a tua identidade fosse vista à luz das letras, atrás das colunas e artigos que publicavas, e que por muitos anónimos era diariamente lida e absorvida sem fazerem a mais pequena ideia de quem era o ser individual que os concebia…


Foste vítima, como qualquer operário numa sociedade de usura, da falta de direitos, da ingratidão dos maiores, do esquecimento dos privados, de toda uma vida de esforço e dedicação a uma causa, ao JN, e inevitavelmente sofreste com isso.

As viagens tuas e da tua familia enriqueceram-te mais ainda! Trouxeste o Oriente contigo, a paz sempre às costas e em cada palavra tua a certeza que um mundo melhor seria sempre possivel.
Se deus existe, como dizem e que eu não acredito, esse deus lembra-se apenas dos bons, dos que na verdade realizam matéria e pensamentos bons e sólidos nesta vida, dos que calados, falam mais do que qualquer um, dos que verdadeiramente fazem a diferença…E deus só se lembrou de ti, foi egoista, não se lembrou da tua familia e amigos, mas ainda mais da tua familia, que sofre e que é uma dor de coração ver sofrer assim…Está tudo mal arrumado, tudo trocado, se pudesse iria eu,para não ver o que agora vejo e que me choca, me revolta até aos ossos.


Dificil será não relembrar a tua calma quando em pequenos, os teus filhos, eu e amigos dos teus filhos fazíamos chinfrineira no patamar ou na praceta, provocando o caos na vizinhança, e às vezes em que assomavas à varanda para chamares a Diana e o Renato para cima para evitar confusões, à companhia que fazias nos eventos deles, ao Basquetebol, à tua fiel alma Salgueirista, à dedicação leal à tua esposa, companheira de toda uma viagem de subidas e descidas, às vossas cavaqueiras caseiras sempre ricas e animadas com amigos, à tua capacidade de dar e dar sem tréguas, às lembrancinhas com que premiavas os teus petizes das tuas expedições lá fora (nunca me hei-de esquecer dos anos 92/93 dos souvenirs de Barcelona que decoravam os quartos deles e com os quais também eu brinquei, e do bonequinho do Mundial de Itália quando o Renato ainda tinha o cabelo à tigela …) à tolerância para com as pessoas em geral, ao crédito e tempo de antena que davas às pessoas que na maior parte das vezes não o mereciam (até o “maldito” Sr.Teixeira anda branco como a cal, desde a última vez que te viu, dois dias antes de partires…uma despedida comum sem que ambos se apercebessem), ao teu lançamento do Hotel Lisboa na Fnac , fez há pouco 2 anos, a toda uma promissora carreira literária que se levantava do horizonte, às fugazes palavras que trocavamos no autocarro quando eu acabava de entrar e tu estavas prestes a sair, e por fim à última vez que te vi existindo (não quero considerar a despedida no féretro como última vez, desculpa) , tu rodeado de jovens estudantes numa mesa cheia, num Piolho apinhado, escrevinhando algo, enquanto as cascas dos teus tremoços viam contigo um jogo de basquete que passava na SportTV e que mais ninguém prestava a mínima atenção, só tu, os teus papéis, e a cerveja…

Eras o Sr. Mendes, sempre , o respeitável Sr. Mendes, mas agora e sempre serás o amigo Mendes, uma referência, uma honrada personagem, uma pessoa como pouquíssimas, das melhores que este planeta viu passar… mais se poderia dizer, mas as palavras engasgam-se perante a hediondez repentina...


Onde quer que estejas, que a paz nunca te abandone Amigo.



lily tv