(N: 15 de Maio, 1949 - F: 3 de Novembro, 2009)
Não existem palavras para descrever o tamanho da crueldade com que uma vida é ceifada de forma inexplicavel, injusta, rápida no decorrer de um percurso sádio, amável, pacífico e sempre promissor…
Eras aquele senhor por quem os velhos vizinhos nutriam uma admiração silenciosa, uma distância respeitosa, cientes na tua vasta cultura e dimensão humana. As disputas pequenas não preenchiam o teu dia-a-dia, sequer o teu pensamento felizmente, o que te engrandecia mais ainda se comparado a qualquer pessoa do senso comum. Eras senhor de grande envergadura na informação para o pais, mesmo que a tua identidade fosse vista à luz das letras, atrás das colunas e artigos que publicavas, e que por muitos anónimos era diariamente lida e absorvida sem fazerem a mais pequena ideia de quem era o ser individual que os concebia…
Foste vítima, como qualquer operário numa sociedade de usura, da falta de direitos, da ingratidão dos maiores, do esquecimento dos privados, de toda uma vida de esforço e dedicação a uma causa, ao JN, e inevitavelmente sofreste com isso.
As viagens tuas e da tua familia enriqueceram-te mais ainda! Trouxeste o Oriente contigo, a paz sempre às costas e em cada palavra tua a certeza que um mundo melhor seria sempre possivel.
Se deus existe, como dizem e que eu não acredito, esse deus lembra-se apenas dos bons, dos que na verdade realizam matéria e pensamentos bons e sólidos nesta vida, dos que calados, falam mais do que qualquer um, dos que verdadeiramente fazem a diferença…E deus só se lembrou de ti, foi egoista, não se lembrou da tua familia e amigos, mas ainda mais da tua familia, que sofre e que é uma dor de coração ver sofrer assim…Está tudo mal arrumado, tudo trocado, se pudesse iria eu,para não ver o que agora vejo e que me choca, me revolta até aos ossos.
Dificil será não relembrar a tua calma quando em pequenos, os teus filhos, eu e amigos dos teus filhos fazíamos chinfrineira no patamar ou na praceta, provocando o caos na vizinhança, e às vezes em que assomavas à varanda para chamares a Diana e o Renato para cima para evitar confusões, à companhia que fazias nos eventos deles, ao Basquetebol, à tua fiel alma Salgueirista, à dedicação leal à tua esposa, companheira de toda uma viagem de subidas e descidas, às vossas cavaqueiras caseiras sempre ricas e animadas com amigos, à tua capacidade de dar e dar sem tréguas, às lembrancinhas com que premiavas os teus petizes das tuas expedições lá fora (nunca me hei-de esquecer dos anos 92/93 dos souvenirs de Barcelona que decoravam os quartos deles e com os quais também eu brinquei, e do bonequinho do Mundial de Itália quando o Renato ainda tinha o cabelo à tigela …) à tolerância para com as pessoas em geral, ao crédito e tempo de antena que davas às pessoas que na maior parte das vezes não o mereciam (até o “maldito” Sr.Teixeira anda branco como a cal, desde a última vez que te viu, dois dias antes de partires…uma despedida comum sem que ambos se apercebessem), ao teu lançamento do Hotel Lisboa na Fnac , fez há pouco 2 anos, a toda uma promissora carreira literária que se levantava do horizonte, às fugazes palavras que trocavamos no autocarro quando eu acabava de entrar e tu estavas prestes a sair, e por fim à última vez que te vi existindo (não quero considerar a despedida no féretro como última vez, desculpa) , tu rodeado de jovens estudantes numa mesa cheia, num Piolho apinhado, escrevinhando algo, enquanto as cascas dos teus tremoços viam contigo um jogo de basquete que passava na SportTV e que mais ninguém prestava a mínima atenção, só tu, os teus papéis, e a cerveja…
Eras aquele senhor por quem os velhos vizinhos nutriam uma admiração silenciosa, uma distância respeitosa, cientes na tua vasta cultura e dimensão humana. As disputas pequenas não preenchiam o teu dia-a-dia, sequer o teu pensamento felizmente, o que te engrandecia mais ainda se comparado a qualquer pessoa do senso comum. Eras senhor de grande envergadura na informação para o pais, mesmo que a tua identidade fosse vista à luz das letras, atrás das colunas e artigos que publicavas, e que por muitos anónimos era diariamente lida e absorvida sem fazerem a mais pequena ideia de quem era o ser individual que os concebia…
Foste vítima, como qualquer operário numa sociedade de usura, da falta de direitos, da ingratidão dos maiores, do esquecimento dos privados, de toda uma vida de esforço e dedicação a uma causa, ao JN, e inevitavelmente sofreste com isso.
As viagens tuas e da tua familia enriqueceram-te mais ainda! Trouxeste o Oriente contigo, a paz sempre às costas e em cada palavra tua a certeza que um mundo melhor seria sempre possivel.
Se deus existe, como dizem e que eu não acredito, esse deus lembra-se apenas dos bons, dos que na verdade realizam matéria e pensamentos bons e sólidos nesta vida, dos que calados, falam mais do que qualquer um, dos que verdadeiramente fazem a diferença…E deus só se lembrou de ti, foi egoista, não se lembrou da tua familia e amigos, mas ainda mais da tua familia, que sofre e que é uma dor de coração ver sofrer assim…Está tudo mal arrumado, tudo trocado, se pudesse iria eu,para não ver o que agora vejo e que me choca, me revolta até aos ossos.
Dificil será não relembrar a tua calma quando em pequenos, os teus filhos, eu e amigos dos teus filhos fazíamos chinfrineira no patamar ou na praceta, provocando o caos na vizinhança, e às vezes em que assomavas à varanda para chamares a Diana e o Renato para cima para evitar confusões, à companhia que fazias nos eventos deles, ao Basquetebol, à tua fiel alma Salgueirista, à dedicação leal à tua esposa, companheira de toda uma viagem de subidas e descidas, às vossas cavaqueiras caseiras sempre ricas e animadas com amigos, à tua capacidade de dar e dar sem tréguas, às lembrancinhas com que premiavas os teus petizes das tuas expedições lá fora (nunca me hei-de esquecer dos anos 92/93 dos souvenirs de Barcelona que decoravam os quartos deles e com os quais também eu brinquei, e do bonequinho do Mundial de Itália quando o Renato ainda tinha o cabelo à tigela …) à tolerância para com as pessoas em geral, ao crédito e tempo de antena que davas às pessoas que na maior parte das vezes não o mereciam (até o “maldito” Sr.Teixeira anda branco como a cal, desde a última vez que te viu, dois dias antes de partires…uma despedida comum sem que ambos se apercebessem), ao teu lançamento do Hotel Lisboa na Fnac , fez há pouco 2 anos, a toda uma promissora carreira literária que se levantava do horizonte, às fugazes palavras que trocavamos no autocarro quando eu acabava de entrar e tu estavas prestes a sair, e por fim à última vez que te vi existindo (não quero considerar a despedida no féretro como última vez, desculpa) , tu rodeado de jovens estudantes numa mesa cheia, num Piolho apinhado, escrevinhando algo, enquanto as cascas dos teus tremoços viam contigo um jogo de basquete que passava na SportTV e que mais ninguém prestava a mínima atenção, só tu, os teus papéis, e a cerveja…
Eras o Sr. Mendes, sempre , o respeitável Sr. Mendes, mas agora e sempre serás o amigo Mendes, uma referência, uma honrada personagem, uma pessoa como pouquíssimas, das melhores que este planeta viu passar… mais se poderia dizer, mas as palavras engasgam-se perante a hediondez repentina...
Onde quer que estejas, que a paz nunca te abandone Amigo.









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