Foi o melhor concerto da minha vida até aos dias que me conheço…
Num dia de calor vindo dos infernos, com a camioneta carregadinha de fãs, e o caminho todo a dar Tool, Strokes, e Pearl Jam (que NHAC, fiz forte questão em não ouvir, preferindo uns phones para me preparar para o grande concertão que se avizinhava) e depois de merendar numa mesa com um coberto de pouca sombra, mal sabia o que me havia de esperar na capital…
Pelas 17H o Pavilhão Atlântico defendia-se das várias filhas de fãs que nele queriam rapidamente entrar…
Uma vez lá dentro, foi só ocupar o melhor lugar de pé à volta do enorme palco central!
Até que demorou a encher, talvez pelo facto de no dia anterior terem dado um concerto, ou porque simplesmente em Lisboa tudo se faz com muito mais calma, e as pessoas não estavam para ir tão cedo ver as outras bandas…
Das outras bandas nem procurei saber registos !…A primeira, High On Fire diziam, era só barulho, sem o mínimo de entendimento da letra e apenas se limitavam a abanar as grandes trunfas, já que andar à volta do palco dava muito trabalho! Já a segunda banda, Volbeat, com um som menos metaleiro, mas igualmente duro, tinha um vocalista que embora com uma voz melódica, não sobressaiu mais do que em imitar a fisionomia e os gestos de Hetfield, o grande front-man por que todos aguardávamos!
21h45 e tudo se desliga… Uns 3 ou 4 raios de luzes paralelas ora verdes ora vermelhas inicialmente( lembrando a nossa bandeira talvez?) depois azuis ou roxas ou arco-íris, recortavam o breu daquele Pavilhão e iluminavam um pouco a expectante bancada e os 4 caixões cinzentos que se “penduravam” no tecto para emitir efeitos de luzes mais ou menos catastróficos e onde ao lado se sentaram os técnicos de som/luzes durante todo o espectáculo para o auxiliarem… Aos primeiros acordes da gravação da Ecstasy of Gold, o coro imenso a entoar, e o meu coração do peito a saltar, numa crise de histeria por todo o lado a rebentar! E o batimento cardíaco da That Was Just Your Life a puxar-nos a todos para o mundo dos mortos-vivos! Foi colossal o que se viveu a seguir…uma primeira vaga de moche que empurrou toda a linha da frente ainda mais para a frente e compactou toda aquela massa humana! Cristo dos Cristos, já o meu suor era uma cascata! Não foram precisos mais do que 5 minutos para a pele dos meus dedos ficarem quase como as rugas da minha avó Célia! Nem num banho de imersão consegui alguma vez chegar a este estado!…
A bateria do Lars Ulrich começou virada para nós e haveria de terminar o concerto virada para Sul…
Cyanide seguiu-se e bem! Caiu que nem uma luva! Som “ciano” que nos pôs a todos nós igualmente azuis! E ainda houve quem berrasse essa música ao telemóvel na certeza que alguém do outro lado ouvisse! Ahahaha…Um gordo maciço sentiu-se mal naquele embrulhada, logo na 2ª música! Amparei-o, ganhei um aliado e defensor para o resto do concerto! Pensara eu que ouviria Fade To Black, uma das melhores músicas de sempre desta banda, e para meu espanto, um sinos guitarrados tocam! For Whom The Bell Tools para toda a gente que também não cai mal! Shortest Straw foi uma surpresa !!! Não que adore especialmente mas porque nem sequer tinha feito do alinhamento do dia anterior nem é uma das mais tocadas ao vivo! Novamente o álbum Death Magnetic em apresentação com uma música cuja entrada é das mais bonitas sobretudo ao vivo, The Day That Never Comes ! Depois os anos 90 a fluirem com uma Sad But True! Nossa! Já o meu top andava não sei onde, e pouco faltava para o tronco totalmente nu! Wherever I May Roam em trajes sonoros indiano-metaleiro (riso) surgia no horizonte! Até que retrospectivam e voltam a um Kill Em All Album fulgoroso com No Remorse! Foi o descalabro!!!Tu atrás de mim , fazias um esforço para não tombares e aguentares, tu ai ao meu lado, mesmo novinho, mostraste um arcaboiço e energia que não são próprios para a tua idade! E a dado momento senti que era a bancada toda em cima de nós na moche também! Ainda senti uns arrufos de asma, mas estava ali e para durar! E nem uma música de St. Anger se ouviu!!!
Quando James Hetfield pergunta ao publico se queríamos “um solo de bateria ou uma versão?” , até que se escolheu a segunda , decide-se por Turn the Page, um cover do Garage Inc. refreou a plebe enfurecida…e depois os caixões magnéticos em cima voltaram a “trabalhar” , anunciando um regresso às cafurnas, com a All Nightmare Long…Mas nada que se comparasse ao calor que depois se fez sentir quando se ouviram os acordes da One e chamas a serem soltas ao largo do palco…A guitarra metralhada e o coro das pessoas a trautear os acordes bem antes da letra propriamente dita, foi para mim um dos momentos altíssimos da noite que se completariam a seguir com a muito por mim desejada, Master Of Puppets. Aí já não sabia onde era o Norte e o Sul do pais nem o meu segundo nome…Nunca senti nada com tamanhas proporções, nem sei se aquilo era parecido com um ataque cardíaco, só sei que não sei o que era aquilo que sentia!...
Damage Inc. ouviu-se depois para gozo de muita gente, as mais do que esperadas Nothing Else Matters com isqueiros e telemóveis acessos por toda a parte, e Enter Sandman, autêntico som revivalista de rádios, discos e bares dos anos 90 e agora Tendinha no Porto (Risos!)
Estava eu “sozinha” já, e tocam Helpless e Motorbreath, portanto mais Garage Inc com fartura!
Desta vez não tocaram a Stone Cold Crazy , cover dos Queen como na noite anterior, que eu tanto queria ouvir…Nem o seu filho subiu de novo ao palco com um bolo para a grei ouvinte lhe cantar a plenos pulmões os “Parabéns” na língua camoniana, mas não foi por isso menos entusiasmante!
Por fim a surpresa. James, com ar de chalaceador, pede : “Please, turn the lights on! The next will be the last song, and we want to sing together!” nisto vemos só a luz geral a iluminar todo o recinto, instrumentos, copos de plástico vazios, caras, vozes, suores…E soltam-se as feras humanas para a ultissima Seek And Destroy!!!
Com bolas tipo pilates dos ginásios, negras, com as palavras “Death Magnetic” e “Metallica”, a caírem do tecto sobre as pessoas e sobre o palco, enquando eles tocavam e as chutavam para o público danado, faminto ainda por mais, que ora as devolviam para o palco, ora as atiravam para os outros ora as agarravam para as guardar e acabavam por as destruir, os Metallica conseguiram partir tudo! Destruíram tudo o que era concorrência e passível de destruir !!
Nunca vi nada igual !!!
Escusado será por assim dizer, que o regresso ao Porto foi atribulado! O cansaço não permitiu ninguém dormir em condições na camioneta! E ainda bem, para não nos olvidarmos nunca do que se passou! Ahahaha
Um mês depois quase, estou ainda em coma devido àquilo que assisti! É um marco que já faz parte dos cadernos da História mais do que Contemporânea…









