Sara Moreira garantiu a presença na final dos 5.000 metros dos Mundiais de atletismo de Berlim 2009, terminando em 5.º na 1.ª meia-final com o tempo 15:19.93 minutos. Na ronda de qualificação da légua estava previsto igualmente a participação de Inês Monteiro e Ana Dulce Félix, mas foram "dispensadas" após a excelente final de 10.000 metros, em que foram respectivamente 10.ª e 13.ª com recordes pessoais. Situação oposta se passa com Sara Moreira, que foi a primeira não apurada para a final dos 3.000 metros obstáculos, pelo que está com vontade plena de se "redimir".
Foi uma jornada que iniciou com as provas do decatlo logo de manha, estando até ao 5º evento da prova a liderar o ucraniano Oleksiy Kasyanov.
Registou-se a final do lançamento do disco masculino, sagrando-se campeao o atleta da casa Robert Harting com 69.43 . Na 2ª posição ficou o polaco Piotr Malachowski com 69.15 e em 3º o já muito conhecido nestas lides Gerd Kanter com 66.88 colocando fora do pódio de forma inesperada o Lituano Virgilijus Alekna.
Na final dos 1500 metros masculinos que nao contou com o nosso Rui Silva, viu-se triunfar o atleta do Barain Yusuf Saad Kamel 3:35.93 contra Deresse Mekonnen da Etiópia (3:36.01 ) e o terceiro Bernard Lagat dos EUA (3:36.20 ).
A Jamaica voltou a arrecadar podio na velocidade, desta feita nos 100 metros barreiras com melhores marcas pessoais do ano. Ganhou Brigitte Foster-Hylton com 12.51 seguida da canadiana Priscilla Lopes-Schliep (em contrapartida com a sua compatriota e conhecida Perdita Felicien que nao obteve melhor que o 8º lugar) com 12.54 e novamente a jamaica a surgir em terceiro com Delloreen Ennis-London com 12.55.
Mas o melhor desta jornada chegou com a final dos 800 metros femininos...
Aos 18 anos, a sul-africana Caster Semenya tornou-se campeã do mundo nos 800 metros, com uma marca fantástica de 1:55.45 minutos, deixando a concorrência a milhas e tornando-se o principal destaque de um dia onde Yusuf Saad Kamel venceu os 1.500 metros e Usain Bolt se apurou para as "meias" dos 200 metros. Porém, quem vê Semenya, plena de força (e levando em conta a tenra idade), tem dificuldade em dizer que é uma rapariga. A própria IAAF está consciente disso e assegura que já está a investigar o caso a fundo. A dúvida sobre o sexo de Semenya já vem de há algum tempo mas a forma como venceu folgadamente em Berlim levantou ainda mais interrogações.
Caster Semenya foi a grande sensação do Mundial de juniores de Bambous (Ilhas Maurícias), no final de julho e início de agosto, ganhando as provas dos 800 metros, com um tempo de 1.56,72 minutos - melhorando em 8 segundos o seu máximo de 2008 -, e a dos 1.500 metros, com 4.08,01 minutos. Já em Berlim, a sul-africana apurou-se para a final com a melhor marca das meias-finais (1.58,66 minutos).
Possante como é raro ver-se nas pistas - com traços masculinos ainda mais acentuados que em Pamela Jelimo, a queniana de 20 anos campeã olímpica em 2008 -, Caster só foi descoberta para o atletismo em campeonatos escolares em 2007, em Port Elizabeth. Depois do Mundial de Juniores, fecharia 2008 com 2.04.23 minutos nos 800 metros e em janeiro deste ano mudou-se para Pretória, para treinar com Michael Seme, que viu nela um verdadeiro "diamante por lapidar". Da queda do recorde júnior, em março, até ao ouro em Berlim, foi um ápice.
As suspeitas levantadas inclusive pela IAAF não surprenderam o seu treinador, que compreende "que se coloquem essas perguntas, porque de facto parece um homem". "A curiosidade é humana", afirma.
Esta não é a primeira vez que a sexualidade de uma atleta é questionada. O caso mais famoso é o da polaca Stella Walsh, medalhada nos Jogos Olímpicos de Los Angeles'1932 e de Berlim'1936. A suspeita só se confirmou quando morreu, em 1988, e ficou provado que os genitais externos não tinham a aparência física de nenhum dos sexos...














