Mais uma vez a excursão Azevedo’s nos levou a nós, fãs de bandas, a ver o concerto esperado desde a ultima vez, em 27 de Maio de 2006 em Lisboa...
Desta vez o “cartaz” apelava-me mais do que no Rock In Rio, na altura quando vi Pitty, Xutos e Pontapés e The Darkness, Pitty foi uma revelação na altura, Xutos já todos conhecemos e Darkness enfim, uma seca que deu para aguentar em prol de ver Axl Rose.
Agora o “ Cartaz” era a abertura antes dos Guns assegurada pelo Sebastian Bach! Ex- vocalista dos Skid Row, velho amigo do Axl, que inclusivé alguns dos seus espectáculos teve que assegurar em momentos que o Axl não podia cantar, por quem os meus ouvidos nutrem alguma simpatia também e por quem estava desejosa de “conhecer” ao vivo!
O pano de fundo do palco deste artista com características de menino, era o do último álbum “ Angel Down” . A sua entrada foi estilo relâmpago! Parecia mesmo ser o artista da noite, para quem não sabia o que se iria suceder por ali…
Às 20:30 entra portanto em palco, com a “Slave to The Grind” mas mais rápida do que a original, parecendo que o concerto teria que ser um corrido, o que não foi pois esteve ali uma hora e meia a actuar!
Tal qual um artista de circo, com o microfone e o fio a voarem sobre a sua cabeça em círculos, mais de 300Km/h, estava sempre a ver quando é que se ia enrolar à volta do seu pescoço e ele tombar sem fôlego…mas enganei-me sempre!
Entre temas que para mim são completamente desconhecidos, confesso, não se ensaiava a falar em português, meio abrasileirado claro, várias frases para afagar o público! Um brasileiro atirou-lhe inclusive uma bandeira do seu país e mais ninguém luso até ao fim quis fazer o mesmo, pois diziam-me “Esta bandeira é pró Axl” , ao que respondia “ Oh cromo, achas que o Axl vai saber de quem é no meio de tanta gente e de tanto gajo a querer dar a sua?! “ e o meu companheiro da causa também não a queria dar…
Fiquei eufórica com a "Piece Of Me", "18 & Life", "Monkey Business" e "I Remember You" mas a que eu queria mesmo era a “ Youth Gone Wild”! Foi mesmo Wild! Havia uma miúda com os seus 13 anos às cavalitas, pelo ar, em soutien e que o Sebastian fazia questão de pedir que o tirasse! Não se tinha apercebido de quão miúda era! Pudera, quem é que com 13 anos vai a um concerto de heavy metal?!
Sebastian fez questão sempre de dizer que era a primeira vez que actuava em Portugal e estava a comemorar o seu 25º aniversário de carreira e intervalava com “ Querem ver Guns n Roses!?” e "Lisboa, capital de Portugal, hoje Lisboa é capital do rock", para por o público ainda mais eufórico! Até que arranco a bandeira ao meu amigo e a atiro pró palco, sem o seu consentimento, e logo ganhando a sua resignação!!!
Às 22horas acabou a sua actuação e só uma hora e meia depois é que teríamos Guns!
Esse tempo de espera foi terrível! Os meus rins estavam massacrados de dor!
Entram em palco com a “Chinese Democracy” e um panorama vermelho, lindo, em todo o palco, e fogo de artificio! Segue-se “Welcome to The Jungle” , para minha grande loucura, e “ It's so Easy” e “Mr.Brownstone” sem grande surpresa. Os ânimos serenam com a belíssima “Sorry” , música intensificava as imagens da tela, de pessoas a discutirem, uma possível rotura de casais, uma tristeza ou remorso latente no Axl quem sabe…
Uma estranha onda de calma e alguma apatia do publico se viu quando soou a “Shackler's Revenge” , uma música que nem é lenta, mas que a maioria parecia desconhecer…
O Solo de Richard Fortus surge entao, um solo que não foi feito para chamar as atenções todas como era o de Slash, também porque havia ainda muitas músicas para tocar, mas que fica marcado pelo tema do James Bond.
Live And Let Die, surge ao fim de sete músicas tocadas. Os mesmos efeitos pirotécnicos, trouxeram-me à memória por breves momentos o Parque da Bela Vista…
E as teclas de Dizzy Reed reconfortam os recalcamentos da plebe em “This I Love”… a voz de Axl é imperturbável neste momento e as pessoas embalam ao som do solo de Ashba até ao fim da trilha, para depois acordarem todos em força para a maravilhosamente obscena “Rocket Queen”, cujos gestos de Axl típicos estiveram em falta! “Ziggy Stardust” de David Bowie foi relembrado em parte no teclado de Reed para culminar em “Street Of Dreams” e vermos Axl mais uma vez a mostrar que não veio para perder! Para minha surpresa, e da maior parte quase, toca a “You Could Be Mine”! Sem correr do lado para o outro, Axl não tem grandes quebras vocais como seria de esperar nesta música que tanto lhe exige. Foi muita adrenalina libertada nesta fase. Estava tudo capaz de roer cabos de aço!
DJ Ashba toca um solo, na tentativa vã de parecer Slash, com a guitarra parecida deste e chapeuzinho e vemos o publico novamente radiado com a “Sweet Child Of Mine”. Aqui sim, vimos que cumpriu, muito diferente do barrete do Rock In Rio, cujo guitarrista anterior levou inclusive assobios! Ao terminar a música, Axl retira-se um pouco para mudar de chapéu e camisa e enquanto isso, parece que nos lembramos da ex-banda de Roger Waters, Pink Floyd com o cover da segunda parte da “Another Brick in the Wall” e para dar tempo a Axl de se ir sentar ao piano. Um piano bem perto de mim, todo ele ladeado de espelhos dispostos na vertical, que reflectiam luzes para todo o pavilhão, enquanto atrás do Axl provinha uma luz pequena. “ November Rain” Foi imediatamente glorificada, adorada por todos, especialmente sentida por mim, que me levou dali até anos atrás, não ao Rock In Rio desta vez, mas sim aos tempos de escola secundária, a memórias humedecidas, que me fez esquecer literalmente quem estava a 2 metros a tocar ali…O meu companheiro de jornada também esmoreceu, mas com alguma dificuldade o encarei. Não é a minha música preferida deles, mas confesso que foi a que mais me tocou em todo o alinhamento. E pronto, acabei por acordar quando, em risos, ouvíamos o riff da “Pantera Cor-de-Rosa” pela guitarra de Bumblefoot. E o bom humor esteve sempre presente. Uma nova incursão ao ultimo álbum com “ Better” e a velhinha “Knockin’ On Heaven’s Door” , cantada por todos com novo estalido de foguetes. Depois, Axl teve um momento de grande generosidade e ia iniciar outra música Do “Chinese Democracy” quando repentinamente pára e inesperadamente começa a “Nice Boys” do álbum Lies, como que a oferecê-la, a pedido de dois rapazes que traziam escrito numa cartolina amarela , “ Nice Boys” apenas! Foi um estrondo! A partir daí, o meu querido amigo e eu, tivemos quase a certeza que o Axl iria aceder ao nosso pedido em tocar a “Don’t Cry” e a não tão frequente “Pacience”…
Ouvimos a “IRS” como se esperava, a enérgica “Nightrain” uma das minhas favoritas ao vivo e um breve retiro para um Encore a seguir. Entra o solo de Bumblefoot e a “Don’t Cry” com os telemóveis a fazer o que em tempos faziam os isqueiros, mas a filmarem ao mesmo tempo…Para mim não era novidade, mas fiquei muito feliz ao ver o meu pequeno companheiro a ouvir pela primeira vez ao vivo esta fabulosa balada. Seguiu-se “Madagáscar” para encerrar o lote de músicas do “novo” álbum (foram 7 tocadas! Metade do álbum!) depois mais uma brincadeira com “Whole Lotta Rosie” dos AC/DC, uma pequena Jam e para encerrar o nosso pedido, da nossa cartolina amarela “BLESS US WITH PATIENCE AND DON’T CRY”, com uma assobiadela enorme a atroar o pavilhão, a “Patience”. Como o eu amigo estava siderado, foi tão bom! Acho que não apreciei a música! EM 2006 não a tocaram e não é costume o fazerem, mas do Axl pode-se esperar qualquer coisa! Estava tão submersa no que se passava ao meu lado que a guitarra acústica soava-me longínqua…Que momento tão lindo creio que foi o mais bonito da noite, e o Axl não teve a culpa toda nisso. Lindo!
Já exaustos , reunimos ainda suor para mais uma derradeira rockada de despedida: “Paradise City” ,desta vez com confetis vermelhos e mais “tiros” e fogo de artificio do que em 2006, e a nossa cartolina a voar para os pés deste imprevisível vocalista…o concerto estava a acabar!
Estes Guns cumpriram. Eram 2horas da manhã quando o concerto terminou. Saímos do Pavilhão 9 horas depois de lá termos entrado, mas valeu largamente a pena! Durante o concerto quando vi voar coisas para o palco, como ursos de peluche, e a cara de desconfiado do Axl, ainda tive receio que ele suspendesse o concerto ou armasse escândalo, mas não. Esteve sempre bem disposto, brincou com o publico, quando lia nos cartazes algo como “Axl, wanna go to a Pijama’s party” ou “ Axl, please take me home!” apontava e gracejava, prosseguindo risonho a seguir. Foi extremamente profissional. Teve mais paragens este concerto do que em 2006, parecia que tinham que recuperar mais entre as músicas o fôlego, o que não é muito bom para um concerto de rock, contudo é normal tendo em conta que está mais velho! Porém, a nível de qualidade vocal e de som, foi muito mais equilibrado e competente do que em 2006, onde se viu mais agitação em palco, menos tranquilidade, mas também menos qualidade.
Depois de ter visto Slash aqui no Porto, em Junho, no Coliseu, e de lhe ter conseguido atirar a bandeira que o Miles Kennedy depois usou no microfone, foi a vez de ver Axl, 4 meses depois, imaginando-os juntos novamente! Foi um sonho e continua a ser até onde o horizonte da memória me permitir…









1 comentários:
Muito bom!!! Texto muito bonito e ao mesmo tempo elucidativo do que se passou no interior do pavilhão oval, consegui atribuir imagens ao que na altura apenas consegui ouvir =)
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